sábado, 26 de janeiro de 2013

Esboço de um Conto Conjunto

Texto Final:


O LÁPIS

Numa brincadeira de Amigo Secreto na escola, um menino ficou muito feliz ao retirar o nome de sua professora como amiga oculta.
Chegou a casa, contou a sua mãe que desejava comprar um lindo presente para sua mestra.
Falou a mãe, de sua expectativa se saber de seu amigo, de qual presente iria ganhar.
No dia da revelação, estava ansioso, pois comprara para a amiga querida, uma linda agenda com imagens de pintores famosos (ele sabia que sua professora amava Pintura).
Nunca chegava a sua vez. O que seu amigo oculto dar-lhe-ia de presente? Muita expectativa havia no olhar do menino.
Finalmente, ele poderia revelar sua amiga... Foi um momento mágico! Ele ficou feliz ao ver o rosto sorridente da mestra com o presente oferecido por ele.
A coleguinha que havia tirado o nome do menino, era a menina mais bonita e a que tinha mais posses na escola. Quando percebeu isto, o menino ficou entusiasmado. Ela poderia dar-lhe um presente muito bom (ele era um menino pobre que já havia gastado suas economias no presente de professora).
A coleguinha entregou-lhe um pequeno pacote. Ao abrir, o garoto percebeu que era um lápis. Ficou decepcionado, mas nada disse. Agradeceu simplesmente.
Durante a festinha de despedida do ano, a professora notou que o menino estava quieto. Aproximou-se dele:
_ Que houve Douglas?Por que estás tão triste?
_ Professora Denise, eu dei para ti uma agenda linda com amor e carinho e recebi apenas um lápis da Laura...
_ Isto não deve ser motivo para tua tristeza, meu querido!Com um lápis podes fazer lindos desenhos, escrever poemas maravilhosos, fazer tuas lições de casa. Não te esqueça, nada acontece por acaso, este lápis pode ser o início de algo maravilhoso para ti.
_ Eu entendi, professora! Disse o menino abraçando a mestra.
No mesmo dia antes de dormir, estava na cama segurando aquele lápis e lembrou-se do que a professora disse. Levantou-se pegou um caderno, e ficou por uns vinte minutos ali, parado. Nada vinha à sua cabeça. Lembrou-se de Laura. Embora tivesse ficado decepcionado com o lápis, não havia ficado triste com ela. Afinal, ele sempre a cobiçara secretamente. Mas ela era muito diferente dele, economicamente falando, não ia dar bola para um pobretão como ele.
Lembrou-se novamente das palavras da professora... “Um poema...” É isso pensou. Pegou o caderno e o lápis e começou a escrever. Nem ele sabe como aconteceu, de onde vieram aquelas palavras, mas depois de alguns minutos tinha escrito um lindo poema. Antes de dormir deu mais uma lida, descrente que fora ele quem havia escrito.
De manhã ao chegar à escola foi direto procurar a professora. Queria mostrar a ela o poema... Na sua ansiedade nem  percebeu que não era o momento ideal para mostrar sua criação; D. Denise estava com o diretor recebendo uma autoridade importante.
Ela não soube como agir, ali estavam a delegada de Educação e um aluno ansioso...
- "Meu rapazinho", disse a professora que  não podia deixar que sua autoridade fosse desconsidera, "se não der para esperar, peça licença antes de interromper. - É urgente?"
A delegada de Educação, pessoa experiente, percebeu o desconforto da situação e  interveio em favor do aluno.
- Qual é o seu nome?
- "Douglas", respondeu o aluno 
-"Pode falar conosco, estamos aqui para ajudá-lo."

Ele narrou à delegada o ocorrido, desde a expectativa da brincadeira do amigo secreto, o sentimento que nutria pela garota,  o desapontamento ao ganhar apenas um lápis da garota mais rica da escola, a conversa com a professora Denise, a inspiração para escrever um poema, a surpresa e alegria por ter escrito versos tão bonitos.

Já impaciente a delegada de ensino respondeu ao Douglas que  embora o presentinho da garota, à primeira vista, pudesse parecer insignificante, ele colaborou para a descoberta de um talento que o aluno nem imaginava que possuía. Seu dom para escrever o acompanharia por toda a vida, em todas as situações que ele ainda iria viver, nas horas alegres e tristes, nas vitórias e nos fracassos (aproveitou para dizer que devemos aprender com nossas derrotas). Disse-lhe que muitos escritores famosos começaram como ele, que obtiveram o reconhecimento porque persistiram no ofício de escrever. Por fim, lembrou-lhe que escrever traz muita satisfação, preenche de modo criativo o tempo, além de  ajudar a ver com mais clareza nossas idéias.

Sentindo-se importante, valorizado e muito edificado por aquelas palavras, sobre as quais pensaria muito depois, principalmente a última frase da delegada, "quem sabe ler e escrever, jamais estará sozinho. Cultive o seu dom" saiu  Douglas correndo logo que ouve o sinal de fim da aula.
- Ah, obrigado professoras, ia me esquecendo de agradecer.

A caminho de casa pensava Douglas:
"Como competir minha poesia com os brinquedos dos analfabetos colegas de minha rua?!"
Não perdeu muito tempo pensando. Passou no armarinho do seu Xico e levou lápis para todos eles.

Criação: Denise Severgnini / Marcelo Bancalero / Soaroir / Diana Gonçalves

17/01/2008
                            
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O LÁPIS

Numa brincadeira de Amigo Secreto na escola, um menino ficou muito feliz ao retirar o nome de sua professora como amiga oculta.
Chegou a casa, contou a sua mãe que desejava comprar um lindo presente para sua mestra.
Falou a mãe, de sua expectativa se saber de seu amigo, de qual presente iria ganhar.
No dia da revelação, estava ansioso, pois comprara para a amiga querida, uma linda agenda com imagens de pintores famosos (ele sabia que sua professora amava Pintura).
Nunca chegava a sua vez. O que seu amigo oculto dar-lhe-ia de presente? Muita expectativa havia no olhar do menino.
Finalmente, ele poderia revelar sua amiga... Foi um momento mágico! Ele ficou feliz ao ver o rosto sorridente da mestra com o presente oferecido por ele.
A coleguinha que havia tirado o nome do menino, era a menina mais bonita e a que tinha mais posses na escola. Quando percebeu isto, o menino ficou entusiasmado. Ela poderia dar-lhe um presente muito bom (ele era um menino pobre que já havia gastado suas economias no presente de professora).
A coleguinha entregou-lhe um pequeno pacote. Ao abrir, o garoto percebeu que era um lápis. Ficou decepcionado, mas nada disse. Agradeceu simplesmente.
Durante a festinha de despedida do ano, a professora notou que o menino estava quieto. Aproximou-se dele:
_ Que houve Douglas?Por que estás tão triste?
_ Professora Denise, eu dei para ti uma agenda linda com amor e carinho e recebi apenas um lápis da Laura...
_ Isto não deve ser motivo para tua tristeza, meu querido!Com um lápis podes fazer lindos desenhos, escrever poemas maravilhosos, fazer tuas lições de casa. Não te esqueça, nada acontece por acaso, este lápis pode ser o início de algo maravilhoso para ti.
_ Eu entendi, professora! Disse o menino abraçando a mestra.
No mesmo dia antes de dormir, estava na cama segurando aquele lápis e lembrou-se do que a professora disse. Levantou-se pegou um caderno, e ficou por uns vinte minutos ali, parado. Nada vinha à sua cabeça. Lembrou-se de Laura. Embora tivesse ficado decepcionado com o lápis, não havia ficado triste com ela. Afinal, ele sempre a cobiçara secretamente. Mas ela era muito diferente dele, economicamente falando, não ia dar bola para um pobretão como ele.
Lembrou-se novamente das palavras da professora... “Um poema...” É isso pensou. Pegou o caderno e o lápis e começou a escrever. Nem ele sabe como aconteceu, de onde vieram aquelas palavras, mas depois de alguns minutos tinha escrito um lindo poema. Antes de dormir deu mais uma lida, descrente que fora ele quem havia escrito.
De manhã ao chegar à escola foi direto procurar a professora. Queria mostrar a ela o poema... Na sua ansiedade nem  percebeu que não era o momento ideal para mostrar sua criação; D. Denise estava com o diretor recebendo uma autoridade importante.
Ela não soube como agir, ali estavam a delegada de Educação e um aluno ansioso...

O impasse foi resolvido pela própria delegada de Educação, uma pessoa que antes de exercer o atual cargo, esteve muitos anos dentro de uma sala de aula e conhecia bem como funcionam as escolas. Ela entendeu o embaraço da professora  Denise e a necessidade do aluno, sabia que uma palavra às vezes é decisiva para influenciar toda uma vida, e ali estava aquele aluno, necessitado de alguém que lhe desse atenção, que dialogasse com ele. Então dirigiu-se a ele:

- Pois não, garoto, como é seu nome?
Ele respondeu que seu nome era Douglas.

- Douglas – disse a delegada – você quer conversar? Pode falar conosco. Nós estamos aqui para ouvir e ajudá-lo.

Ele narrou à delegada o ocorrido, desde a expectativa da brincadeira do amigo secreto, o sentimento que nutria pela garota,  o desapontamento ao ganhar apenas um lápis da garota mais rica da escola, a conversa com a professora Denise, a inspiração para escrever um poema, a surpresa e alegria por ter escrito versos tão bonitos.

A delegada conversou longamente com Douglas.  Disse-lhe que embora o presentinho da garota, à primeira vista, pudesse parecer insignificante, ele colaborou para a descoberta de um talento que o aluno nem imaginava que possuía. Seu dom para escrever o acompanharia por toda a vida, em todas as situações que ele ainda iria viver, nas horas alegres e tristes, nas vitórias e nos fracassos (aproveitou para dizer que devemos aprender com nossas derrotas). Disse-lhe que muitos escritores famosos começaram como ele, que obtiveram o reconhecimento porque persistiram no ofício de escrever. Por fim, lembrou-lhe que escrever traz muita satisfação, preenche de modo criativo o tempo, além de  ajudar a ver com mais clareza nossas idéias.

Douglas sentiu-se valorizado e muito edificado por aquelas palavras, sobre as quais pensaria muito depois, principalmente a última frase que a delegada disse:

- Quem sabe ler e escrever, jamais estará sozinho. Cultive o seu dom.



Criação: Denise Severgnini / Marcelo Bancalero / Soaroir / Diana Gonçalves
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Fim - este foi o meu final. Se surgirem outras idéias, a "obra é aberta". Bjos. Soaroir


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Ela não soube como agir, ali estavam a delegada de Educação e um aluno ansioso...
- "meu rapazinho", disse a professora que  não podia deixar que sua autoridade fosse desconsidera, "se não der para esperar, peça licença antes de interromper. - É urgente?"

A delegada de Educação, pessoa experiente, percebeu o desconforto da situação e  interveio em favor do aluno.
- Qual é o seu nome?
- "Douglas", respondeu o aluno 
-"Pode falar conosco, estamos aqui para ajudá-lo."

Ele narrou à delegada o ocorrido, desde a expectativa da brincadeira do amigo secreto, o sentimento que nutria pela garota,  o desapontamento ao ganhar apenas um lápis da garota mais rica da escola, a conversa com a professora Denise, a inspiração para escrever um poema, a surpresa e alegria por ter escrito versos tão bonitos.

Já impaciente a delegada de ensino respondeu ao Douglas que  embora o presentinho da garota, à primeira vista, pudesse parecer insignificante, ele colaborou para a descoberta de um talento que o aluno nem imaginava que possuía. Seu dom para escrever o acompanharia por toda a vida, em todas as situações que ele ainda iria viver, nas horas alegres e tristes, nas vitórias e nos fracassos (aproveitou para dizer que devemos aprender com nossas derrotas). Disse-lhe que muitos escritores famosos começaram como ele, que obtiveram o reconhecimento porque persistiram no ofício de escrever. Por fim, lembrou-lhe que escrever traz muita satisfação, preenche de modo criativo o tempo, além de  ajudar a ver com mais clareza nossas idéias.

Sentindo-se importante, valorizado e muito edificado por aquelas palavras, sobre as quais pensaria muito depois, principalmente a última frase da delegada, "quem sabe ler e escrever, jamais estará sozinho. Cultive o seu dom" saiu  Douglas correndo logo que ouve o sinal de fim da aula.
- Ah, obrigado professoras, ia me esquecendo de agradecer.

A caminho de casa pensava Douglas:
"Como competir minha poesia com os brinquedos dos analfabetos colegas de minha rua?!"
Não perdeu muito tempo pensando. Passou no armarinho do seu Xico e levou lápis para todos eles.
F I M



Criação: Denise Severgnini / Marcelo Bancalero / Soaroir / Diana Gonçalves[/size]
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Fiz uma modificaçãozinha (direto na tela) pf profs de plantão


Diana - V c vc concorda c a junção dos textos. 


O LÁPIS

Numa brincadeira de Amigo Secreto na escola, um menino ficou muito feliz ao retirar o nome de sua professora como amiga oculta.
Chegou a casa, contou a sua mãe que desejava comprar um lindo presente para sua mestra.
Falou a mãe, de sua expectativa se saber de seu amigo, de qual presente iria ganhar.
No dia da revelação, estava ansioso, pois comprara para a amiga querida, uma linda agenda com imagens de pintores famosos (ele sabia que sua professora amava Pintura).
Nunca chegava a sua vez. O que seu amigo oculto dar-lhe-ia de presente? Muita expectativa havia no olhar do menino.
Finalmente, ele poderia revelar sua amiga... Foi um momento mágico! Ele ficou feliz ao ver o rosto sorridente da mestra com o presente oferecido por ele.
A coleguinha que havia tirado o nome do menino, era a menina mais bonita e a que tinha mais posses na escola. Quando percebeu isto, o menino ficou entusiasmado. Ela poderia dar-lhe um presente muito bom (ele era um menino pobre que já havia gastado suas economias no presente de professora).
A coleguinha entregou-lhe um pequeno pacote. Ao abrir, o garoto percebeu que era um lápis. Ficou decepcionado, mas nada disse. Agradeceu simplesmente.
Durante a festinha de despedida do ano, a professora notou que o menino estava quieto. Aproximou-se dele:
_ Que houve Douglas?Por que estás tão triste?
_ Professora Denise, eu dei para ti uma agenda linda com amor e carinho e recebi apenas um lápis da Laura...
_ Isto não deve ser motivo para tua tristeza, meu querido!Com um lápis podes fazer lindos desenhos, escrever poemas maravilhosos, fazer tuas lições de casa. Não te esqueça, nada acontece por acaso, este lápis pode ser o início de algo maravilhoso para ti.
_ Eu entendi, professora! Disse o menino abraçando a mestra.
No mesmo dia antes de dormir, estava na cama segurando aquele lápis e lembrou-se do que a professora disse. Levantou-se pegou um caderno, e ficou por uns vinte minutos ali, parado. Nada vinha à sua cabeça. Lembrou-se de Laura. Embora tivesse ficado decepcionado com o lápis, não havia ficado triste com ela. Afinal, ele sempre a cobiçara secretamente. Mas ela era muito diferente dele, economicamente falando, não ia dar bola para um pobretão como ele.
Lembrou-se novamente das palavras da professora... “Um poema...” É isso pensou. Pegou o caderno e o lápis e começou a escrever. Nem ele sabe como aconteceu, de onde vieram aquelas palavras, mas depois de alguns minutos tinha escrito um lindo poema. Antes de dormir deu mais uma lida, descrente que fora ele quem havia escrito.
De manhã ao chegar à escola foi direto procurar a professora. Queria mostrar a ela o poema... Na sua ansiedade nem  percebeu que não era o momento ideal para mostrar sua criação; D. Denise estava com o diretor recebendo uma autoridade importante.
Ela não soube como agir, ali estavam a delegada de Educação e um aluno ansioso...
- "Meu rapazinho", disse a professora que  não podia deixar que sua autoridade fosse desconsidera, "se não der para esperar, peça licença antes de interromper. - É urgente?"

A delegada de Educação, pessoa experiente, percebeu o desconforto da situação e  interveio em favor do aluno.
- Qual é o seu nome?
- "Douglas", respondeu o aluno 
-"Pode falar conosco, estamos aqui para ajudá-lo."

Ele narrou à delegada o ocorrido, desde a expectativa da brincadeira do amigo secreto, o sentimento que nutria pela garota,  o desapontamento ao ganhar apenas um lápis da garota mais rica da escola, a conversa com a professora Denise, a inspiração para escrever um poema, a surpresa e alegria por ter escrito versos tão bonitos.

Já impaciente a delegada de ensino respondeu ao Douglas que  embora o presentinho da garota, à primeira vista, pudesse parecer insignificante, ele colaborou para a descoberta de um talento que o aluno nem imaginava que possuía. Seu dom para escrever o acompanharia por toda a vida, em todas as situações que ele ainda iria viver, nas horas alegres e tristes, nas vitórias e nos fracassos (aproveitou para dizer que devemos aprender com nossas derrotas). Disse-lhe que muitos escritores famosos começaram como ele, que obtiveram o reconhecimento porque persistiram no ofício de escrever. Por fim, lembrou-lhe que escrever traz muita satisfação, preenche de modo criativo o tempo, além de  ajudar a ver com mais clareza nossas idéias.

Sentindo-se importante, valorizado e muito edificado por aquelas palavras, sobre as quais pensaria muito depois, principalmente a última frase da delegada, "quem sabe ler e escrever, jamais estará sozinho. Cultive o seu dom" saiu  Douglas correndo logo que ouve o sinal de fim da aula.
- Ah, obrigado professoras, ia me esquecendo de agradecer.

A caminho de casa pensava Douglas:
"Como competir minha poesia com os brinquedos dos analfabetos colegas de minha rua?!"



Criação: Denise Severgnini / Marcelo Bancalero / Soaroir / Diana Gonçalves


 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Um Conto em Prosa


A Mulher de Lata
E as Virtudes Cardeais

©Soaroir de Campos
SP/SP 27/10/12




O cachorro me acordou às cinco. Providencial já que coincide com a hora que devo engolir “ciprofloxacino” para combater um ataque de mau imunodepressor,entre outros, segundo a Net, porque remédio da rede publica não vem com bula e as informações impressas no verso da cartela metálica não se consegue ler, o que de certa forma é uma benção. A última bula que li trazia 1% de benefícios e 99% de possíveis danos colaterais.

Não dá para voltar para a cama embora estejamos no horário de Verão, fato que o cachorro desconhece e insiste em querer descer, mas eu, ainda que toscanejando, aproveito o silêncio para dar ouvidos ao que repentinamente, como vazamento de um dique, goteja pelas brechas do meu inconsciente enchendo minha moringa e lataria, então me rendo à análise das injúrias, das injustiças e das maldades que me intoxicaram ao me calar.


Ainda tentando me esquecer das sovinices eu me dou conta de que a temperança que nos aconselha ao domínio da vontade sobre os instintos também nos induz a nos acumpliciarmos com a violação das demais Virtudes Cardeais, principalmente a justiça que hoje mais nos amedronta do que nos avigora, quem com seus inaccessíveis e impermeáveis rábulas que nos encurralam ao cunhal da insignificância e então entregamos calados o que a nós pertence.

Resta-nos a fortaleza que criamos quando em folhas de flandres nos revestimos para manter a firmeza e a perseverar em discernir, em quaisquer circunstâncias, o certo do errado e então escolher os meios para autodefesa e a sobrevivência digna e saudável. No entanto, às vezes explodimos!

Dizem que esquecer ofensas depende da nossa memória e acabo de me lembrar de que preciso descer com o cachorro, que não age por maldade, perdoa, mas jamais esquece os maus tratos.

Vamos Chuko, vamos mijar no mundo...



(imagem/Google/wordpress)





Este texto faz parte do Exercício Criativo - A Mulher de Lata

domingo, 14 de outubro de 2012

Em algum Lugar do Meu passado - Conto Minimalista




Acareamento
"Ficou em algum lugar do meu passado"

Conto Minimalista
By Soaroir
11/10/12


Yesterday, Today and Tomorrow
Gwen Meharg Watercolor - 22 x 30 unframed
  



- Estás ouvindo? Indagou rompendo o silêncio dos bosques.

- É verdade, ouço ao longe um ruído – e ocultou-se novamente atrás da moita. Ainda, de seu esconderijo, interpelou - há alguma coisa de novo?

- Há, sim, meu caro.

- + #¨*@#"!"

- Compreendo...Mas independe de mim.

O presente pareceu compreender. Mas, devido ao adiantado da hora, e sem mais manifestação, o futuro seguiu lambendo (suas) as impérvias mariolas.


Conto Minimalista
By Soaroir
11/10/12


Este texto faz parte do Exercício Criativo - Ficou em Algum Lugar do Meu Passado
Saiba mais, conheça os outros textos:
http://encantodasletras.50webs.com/ficounopassado.htm

sábado, 13 de outubro de 2012

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O Voo da Seagull

Copyright Soaroir de Campos
8/10/12


imagem/http://www.manchester2002-uk.com/maps/lakes.jpg


O dia inteiro, na mansão do Lorde Chanceler, tipica construção do século XVI situada nos arredores de Grasmare, com salas lembrando caramanchões onde os pássaros das árvores desciam sem medo até as floreiras, trabalhava uma jovem de familia, à época, muito humilde, contratada pela governanta Frau von der Dorf para auxiliá-la nos serviços domésticos.
Mary-Anne aprendera a ler com seu pai quando este ainda não havia sido destituido de suas posses como feudatário, o que lhe valia de refrigério nas poucas horas que lhe sobravam para repouso, quando no sótão, à luz dos sobejos, réstias de velas sobradadas dos castiçais da mansão ela lia o que conseguia emprestado da boa frau Dorf. E assim Mary-Anne começou a descobrir que o mundo ia além do pouco que até então havia conhecido.
Até que frau von der Dorf lhe presenteu com seu poeta preferido, e Mary-Anne a partir de então passou a sonhar com a liberdade cantada nas poesias de William Wordsworth, THE PRELUDE BOOK FIRST - INTRODUCTION--CHILDHOOD AND SCHOOL-TIME.

Certo dia, acobertada pela senhora Dorf, Mary-Anne desceu até a região dos lagos e lá chegando, já à tardinha, sentou-se e se encantou; deu asas ao seu destino e voou, como voa qualquer gaivota, quando do recolher das velas.



Para (4º Desafio Beco dos Poetas)
http://www.becodospoetas.com.br/forum/topic/show?id=2169003%3ATopic%3A423222&xgs=1&xg_source=msg_share_topic

domingo, 2 de setembro de 2012

Às Margens do Ipiranga

Às Margens do Ipiranga (EC)


 O Brado da Coli (¹)
Copyright Soaroir de Campos  

 
Por mais bravio e convicto que possa lhes parecer, a narrativa que estou à teclar, não espero nem peço crença. Louca eu estaria de esperar que, uma tão antiga história recontada há mais de dois séculos, meus sentidos rejeitassem as evidências.

Entre muitas outras árvores nativas preservadas pelo Dr. Ihering, deita-se um príncipe sob a sombra de dois cedrella fissilis enquanto seus três caceteiros saem em busca de água inclusive para os cavalos. Cansado da longa viagem de visita a parte de seu território, o jovem príncipe adormece.

Às vésperas da Primavera no Hemisfério Sul, uma fina garoa se precipita, refrescando a mente e o ataviado corpo do principezinho.

Alfonso chega com um cantil e acorda o herdeiro que avidamente engole a água e volta a dormir, sem ouvir o aviso do jagunço: “Majestade, eu trouxe a água, mas ela é muito vermelha”. Notícia que mais tarde se conhece as consequências.Dorme profundamente e sonha com toda aquela vida miserável que sempre teve desde quando ainda puto. Sem vídeo game, televisão, internet... Nada, nada, mas obrigações e deveres preenchiam sua existência.

A menos de um mês de completar 24 anos, o nobre rapaz sonha com as intempéries do reino, o que bem conhece desde miúdo; com a fuga da família real e a travessia do Atlântico quando então é acordado por seus guarda-costas, avisando-o de que alguém se aproxima.

Assustado e ainda sonolento, se retorcendo (de dor) pelo efeito da água do rio vermelho que havia bebido, monta seu puro sangue que já o aguarda arreado e, com a espada desembainhada e em riste, segue a declive até avistar um cavaleiro que de longe anuncia: “Trago notícias da corte!”. Menos ansioso o jovem príncipe espera a chegada do mensageiro que se aproxima no exato momento em que este tenta esvaziar a bexiga; pede para que lhe seja lida a mensagem e em seguida, em quase estado de alucinação, grita: “deixem-me cá em paz! Já disse que FICO. Cumpram-se...”

O mensageiro já perto de desaparecer na curva à margem do Y Piranga, quando pela Mata Atlântica ecoa um grito...
“Independência ou morte!”. 




(¹)  A Coli (Escherichia coli- também conhecida pela abreviatura E. coli) bacteria bacilar  Gram-negativa, que, juntamente com o Staphylococcus aureus é a mais comum e uma das mais antigas bactérias simbiontes do homem. O seu descobridor foi o alemão-austríaco Theodor Escherich, somente em 1885 (fonte:Wikipedia)

 
(in esboços) by Soaroir 30/8/2012

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Quando não se Cabe em Si

No Dia Seguinte é Poesia
By Soaroir
27/8/12
             Tuko - Nosso Cão Adotado
 

Noite passada dormi inquieta.
A bunda não cabia na cama,
E os travesseiros na nuca.
À Oeste a meia lua iluminava o quarto;
Acompanhei-a até sumir aonde vai agora o Sol.
Com meus pedaços de sonhos inquietos
Levantei-me para aprontar um chá com leite;
Pensava atrair um sono justo,
Mas tropecei no cachorro,
Que de vigília à minha porta,
Por vingança, ou coisas de cachorro,
Ali se prostrava com semblante de miserável.
Ao acender a luz descobri -
Ele anunciava: - fiz merda no banheiro!
Mas já era muito tarde.