sábado, 31 de março de 2012

Contos de Outro Mundo


imagem/google



No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês.

"O primeiro pergunta ao outro:

- Você acredita na vida após o nascimento?

- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui porque precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.

- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?

- Eu não sei mas, provavelmente, haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comamos com a boca.

- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está excluída - o cordão umbilical é muito curto.

- Certamente que há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.

- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E, afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.

- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.

- Mamãe? Você acredita em mamãe? E onde ela supostamente está?

- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.

- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma.

- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sentí-la afagando nosso mundo. Sabe, eu penso que só então a vida real começa e agora estamos apenas num estágio para ela..."

Recebido ontem do meu amigo Jack e tido como de domínio público.




sábado, 4 de fevereiro de 2012

Arlequins

By Soaroir
17/1/12


Quanta loucura! Cada um vindo de um lugar,
para chegar ao mesmo resultado...



foto by Soaroir (Brigadeiro c Paulista)



nota:(sic)No folclore, o Arlequim anda invisível ou bem escondido entre as pessoas nas ruas agitadas, pode ser visto somente de relances pelos idosos, pelas damas novas e de boa educação e pelas crianças. Esses momentos tipicamente são quando o Arlequim está roubando pirulitos, balas, fumo, doces e coisas preciosas, para depois geralmente escondê-los das crianças

sábado, 21 de janeiro de 2012

Parabens São Paulo

by Soaroir
21/1/12



  • Ao atravessar a Ipiranga com a Av. São João,
o poeta não resistiu. Sacou do violão e juntou

o espanto com encanto

domingo, 8 de janeiro de 2012

Tributos a Olavo Bilac

Conto Minimalista
by Soaroir 8/1/12



“Os Óculos”
O austero e competente doutor examina o ventre da enferma. – Pulga, unhas de gato, exclama. Coberta de pejo balbucia a donzela: — Não! Não é nada... não sei... isto é... talvez seja dos óculos do João...

MICROCONTO
O austero doutor examina-lhe o ventre. Pulga, gato, exclama. Cheia de pejo balbucia a donzela: Não sei... Talvez dos óculos do João...




Tributos a Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac

sábado, 19 de novembro de 2011

Conto para Velhos

Homengem pelos anivesários de Bilac:

"CONTOS PARA VELHOS
OS ÓCULOS
by Bob

O velho e austero doutor Ximenes, um dos mais sábios professores da Faculdade, tem uma espinhosa missão a cumprir junto da pálida e formosa Clarice... Vai examiná-la: vai dizer qual a razão da sua fraqueza, qual a origem daquele depauperamento, daquela triste agonia de flor que murcha e se estiola.
A bela Clarice!... É casada há seis meses com o gordo João Paineiras, o conhecido corretor de fundos, — o João dos óculos —, como o chamam na Praça por causa daqueles grossos e pesados óculos de ouro que nunca deixam o seu forte nariz de ventas cabeludas. Há seis meses ela mingua, e emagrece, e tem na face a cor da cera das promessas de igreja — a bela Clarice. E — ó espanto! — quanto mais fraca vai ficando ela, mais forte vai ficando ele, o João dos óculos, — um latagão que vende saúde aos quilos. Assusta-se a família da moça. Ele, com seu imenso sorriso, vai dizendo que não sabe... que não compreende... porque, enfim, — que diabo! — se a culpa fosse sua, ele também estaria na espinha...
E é o velho e austero Dr. Ximenes, um dos mais sábios professores da Faculdade, um poço de ciência e discrição, quem vai esclarecer o mistério. Na sala, a família ansiosa espia com rancor a gorda face do João impassível. E na alcova, demorado e minucioso exame continua.
Já o velho doutor, com a cabeça encanecida sobre a pele nua do peito da enferma, auscultou longamente os seus pulmões delicados: já, levemente apertando entre os dedos aquele punho macio e branco, tateou o pulso, tênue como um fio de seda... Agora, com o olhar arguto, percorre a pele da bela Clarice — branca e cheirosa pele — o colo, a cinta, o resto... De repente — que é aquilo que o velho e austero doutor percebe na pele, abaixo... abaixo... abaixo do ventre?... Leves escoriações, quase imperceptíveis arranhaduras avultam aqui e ali vagamente... nas coxas...
O velho e austero doutor Ximenes funga uma pitada, coça a calva, olha fixamente os olhos da sua doente, toda alvoroçada de pudor:
- Isto que é, filha? Pulgas? Unhas de gato?
E a bela Clarice, toda de confusão, enrolando-se no penteador de musselina como n’uma nuvem, balbucia, corando:
— Não! Não é nada... não sei... isto é... talvez seja dos óculos do João..."


(sic) Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 16 de dezembro de 1865. Faleceu, na mesma cidade, em 28 de dezembro de 1918.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Psicanálises

Havia um garotinho q so desenhava em preto e a prof mais a psicóloga da escola apavoradas reuniram os pais e introduziram um monte de preocupação na família. Resumindo a história, a mãe se nega a aceitar toda aquela baboseira e visita as obras de arte das outras crianças. Realmente só o filho dela pintava em preto – os ouros eram maiores e alcançavam as outras cores. Bom dia para vcs.


Resultado de imagem para desenho infantil

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Não corra atrás das borboletas

Não faz muito tempo eu conheci a cativante Butterfly.
Em sua jornada, talvez cansada ou em vôo errante, pousou no meu vitral,
um palmo ou mais acima do meu pequeno jardim suspenso.
Fiquei admirada com tanta iridescência, sorri parada.
Sem outra reação, dei uma piscadela como saudação.
Ela, com as radiantes escamas e especial deferência
retribuiu contra o vidro respingado e me disse
pelas antenas arredondadas em código de borboletas:

- Agora tenho que partir. A vida é muito curta para ficar
choramingando por aqui em seu jardim.

Sem promessas, agradeceu a acolhida e se foi,
mesmo com meia asa descamada por algum predador.


© Soaroir de Campos
São Paulo-BR,24/01/2009